O objetivo é alcançar jovens e adolescentes com uma linguagem inteligível dentro do universo deles, conforme 

Atos 17:23: (pois, andando pela cidade, observei cuidadosamente seus objetos de culto e encontrei até um altar com esta inscrição: AO DEUS DESCONHECIDO. Ora, o que vocês adoram, apesar de não conhecerem, eu lhes anuncio.)! Desta forma, dentro da proposta de postagens diárias através de devocionais desejamos que esta geração seja abençoada por estas publicações.

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Generalizar é a maldição do século XXI

 

O presente texto foi escrito originalmente a exato um ano. Interessante rever alguns textos para verificar sua relevância ao longo do tempo. O que mudou nestes 365 dias foi uma diminuição no clima de torcida organizada que imperava nas redes sociais agora que a preocupação da mídia é a repercussão da carne fraca e a segunda lista do Janot. De resto mantenho a posição de que precisamos pensar mais em escrever o que pensamos nas redes sociais, pois pessoas estão lendo e podem se ofender com nossa postura. O texto na íntegra segue abaixo sem edições.

 

Vivemos em um período histórico onde o acesso a uma quantidade ilimitada de informações impede o aprofundamento das discussões e do conhecimento. Na era do Google e das redes sociais, todos podem se transformar em especialistas em qualquer assunto em questão de minutos. Em determinado aspecto, isto é maravilhoso porque abre um universo de informação e formação para um público que de outra forma não conseguiria acessar estes conteúdos. Por outro lado porém, este processo acaba sendo nocivo, pois o volume de informação mantém as discussões em níveis muito rasos e isto se traduz em uma única palavra: Generalizações.

 

Qualquer assunto apresenta peculiaridades e isso é o que faz a sociedade ser tão rica! Mas observar o que foge do geral e da opinião da maioria torna o debate mais complexo e isso não é interessante para a maioria que deseja colocar determinado grupo em um mesmo arcabouço explicativo. Até o momento tenho sido passivo com relação ao discurso de ódio que tenho lido nas redes sociais e na mídia e gostaria de contribuir para este tão importante debate neste momento histórico que estamos vivendo. Qualquer ruptura de um governo constituído de maneira democrática será traumática para a sociedade que ele preside, então é natural assistirmos a uma escalada da intolerância e do aumento dos discursos acalorados no campo político. Mas deveria existir limites para este debate. Estes limites que estão sendo transpassados de maneira criminosa em nossos dias. Gostaria de pontuar alguns elementos desta discussão para todos aqueles, em especial aos meus alunos, que têm perguntado o que penso sobre o assunto como Pastor e doutor em História.

1. Sou fruto das Ciências Humanas e como tal vejo com preocupação a verdadeira caçada aos colegas por parte da população. Ao longo de uma década, primeiro como aluno durante a graduação e depois como pesquisador no doutorado, nunca fui doutrinado por ideologia A ou B. Estamos sendo retratados como acéfalos que são dominados por professores que conspiram entre si para ressuscitarem Marx e verem um neo socialismo emergindo sobre as cinzas do capitalismo, como se este discurso ainda fosse viável no contexto atual nos mesmos moldes da Guerra Fria. O que recebi de professores renomados no departamento de História da UFPR ao longo destes anos foi a capacidade de argumentar e nunca aceitar apenas uma verdade, mas questioná-la e analisá-la a partir de diferentes aspectos e pontos de vista. Quanto mais amplo for este campo, melhor será minha visão do todo. Ler um texto qualquer nos leva a refletir a respeito das intenções daquele que o escreveu (talvez você esteja fazendo isso comigo neste momento!) e buscar complementar este quebra-cabeças intelectual com mais peças do que apenas uma. Como professor trago comigo o mesmo conceito, levar meus alunos a perceberem que a realidade é muito mais complexa do que dividir o campo político nacional em apenas dois grupos. Para isso é importante que ele conheça todas as ideologias pois elas tem relevância histórica para entendermos nosso presente. Mostro ao meu aluno o cardápio, o prato que ele vai escolher é uma decisão que cabe a ele.

 

2 - Com relação ao contexto político, é fundamental que o Estado Democrático de Direito seja preservado. Que os trâmites processuais sejam respeitados e que tudo o que está para acontecer seja feito dentro da legalidade constitucional. Que os poderes permaneçam fortes e independentes e isso com certeza vai gerar decisões que podem não atender às expectativas da parcela da população que deseja ver sangue a qualquer custo. Se o Judiciário atender às demandas da parcela que querem a derrocada do atual governo sem que os ritos legais sejam atendidos, abrimos um precedente importante para um futuro em que isto se torne prática. Penso que é importante pensarmos para além deste processo que mais cedo ou mais tarde será encerrado. É preciso manter a democracia a todo custo, para o período pós-impeachment, tendo ele o desfecho que tiver.

 

3 - Sobre o debate político na sociedade, é fundamental e muito importante que o cidadão comum esteja informado a respeito do que acontece em nosso país. Acredito que estes eventos acionaram o gatilho que está vinculando a população à política e este é um processo maravilhoso. O que não podemos concordar em hipótese alguma é este debate extrapolar o contexto das ideias e ir para o pessoal. Ao invés de defender ideias, estão atacando pessoas. Porque dizer que quem não concorda com o que você pensa é “burro”, “ignorante”, “alienado” e outros adjetivos mais pesados que estes? Ele apenas pensa diferente! No Estado Democrático todos têm liberdade de expressão. Existem argumentos em ambos os grupos que são dignos de defesa por isso, não concordo com a demonização de quem quer seja por expressar seu pensamento. A sociedade precisa do contraditório, pois a permissão de apenas uma linha de raciocínio é a porta de entrada para uma radicalização do discurso, que em determinado momento aprovará a extinção do pensamento contrário. Respeite seu próximo, respeite sua liberdade de expressar o que pensa sem que com isso você o humilhe ou reduza.

 

4 - Estamos vivendo em um clima de histeria coletiva. As pessoas reduziram a política brasileira em um clássico de futebol onde dois times lutam para vencer a partida enquanto as torcidas organizadas se matam do lado de fora do estádio. Na verdade, se mudarmos a lente com a qual estamos assistindo a partida, veremos que quem está jogando são os titulares contra os reservas do mesmo time, cabe ao técnico apenas escolher quem jogará a próxima partida oficial. Não existe vermelho ou azul, apenas tons de cinza ( sim, você entendeu a referência!) que igualam a todos quando estes chegam ao poder. Esquerda ou direita só existe como projeto para que se atinja o objetivo de chegar ao Executivo Federal. Uma vez que o objetivo tenha sido alcançado, todos pertencem ao Centro, pois um governo de coalizão como é o caso do Brasil não é possível governar sem acordos e arrefecimento do discurso. Pense nisso antes de terminar uma amizade de anos por causa deste debate, pois ele vai passar e seu amigo ou ex-amigo ainda estarão lá.

 

5 - Como pastor oro para que a nação seja chacoalhada e que toda a corrupção, impunidade e iniquidade sejam extirpadas de nosso país. É preciso que a igreja se levante em oração por nossos governantes e principalmente por aquilo que vai acontecer na sequência. Não acho correto que cristãos discriminem aqueles que pensam diferente, pois estes também são potenciais para receberem a Graça Redentora de Cristo em suas vidas. Quando excluo meus conhecidos através de meu posicionamento aguerrido, talvez não tenha oportunidade de compartilhar da minha fé com alguém a quem já afastei por causa do meu discurso abertamente radical. Ser contra a corrupção é uma coisa, outra coisa é achar que todos aqueles que acreditam que o atual governo é um bom governo são burros e ignorantes. É uma opinião e como tal deve ser respeitada, independente de seus argumentos e banners no Facebook que você tenha acumulado para argumentar com seus amigos (?). Nosso alvo deve sempre ser as almas em última instância, e se alguma coisa pode me privar de compartilhar minha fé por causa daquilo que falo, devo repensar meu posicionamento.

 

6 - Minha opinião sobre o atual governo é que muito do que aconteceu é responsabilidade direta da presidente da República, pois Dilma é um fruto da megalomania de Lula em tentar criar um ente político a partir do zero, utilizando para isso, de sua popularidade quando saiu do governo. O ciclo petista deveria ter se encerrado com o segundo mandato de Lula. Dilma é uma péssima oradora, não tem carisma nem capacidade de aglutinar lideranças partidárias. Esta incapacidade foi gradativamente fragmentando a maioria conquistada no Congresso e, a partir da perda de apoio, abriu-se a brecha para que o processo fosse aberto. É importante notar que o processo de impeachment foi aberto por causa de uma questão mais técnica que política. O que será julgado pela Câmara não é a corrupção no governo Dilma, mas as chamadas “pedaladas fiscais”, artifício técnico para fechar as contas do orçamento federal. Fico me perguntando se ela tivesse as prerrogativas para ser uma presidente com apelo popular e voz ativa em Brasília, se o atual processo teria sido aberto. Soma-se a isso a crise econômica responsabilidade parte da conjuntura externa, e grande parte por causa das políticas econômicas imediatistas dos últimos 12 anos que resultaram no caos atual que levou a massa para as ruas para protestar e deram a força que os deputados e senadores precisavam para dar andamento ao processo. Que este processo seja o mais célere possível, pois enquanto ele durar o país continuará com o freio de mão puxado e não teremos perspectiva de melhora no quadro. Espero que as próximas fases da operação Lava-jato possam levar a outros núcleos políticos para mostrar à população leiga que a corrupção é endêmica neste país e que as próximas escolhas nas eleições serão fundamentais para uma retomada na esperança e credibilidade na política federal. Que a triste história da corrupção no Brasil seja dividida entre Antes e Depois da operação Lava-Jato.

Espero que meu filho cresça em um país onde a corrupção seja mostrada apenas nos livros de História, sem que os professores seja hostilizados por explicarem todos os aspectos deste momento histórico.

Se você, valente leitor, chegou até este ponto do texto e não concorda com o que eu disse, eu continuarei sendo seu amigo, pois defenderei até o fim o seu direito de discordar de meu posicionamento pois quero que você se expresse com liberdade.

 

Acho que nisso eu e você concordamos... Já é um bom ponto de partida, não é mesmo?

 

Professor Doutor Eduardo Luiz de Medeiros.

 

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